Boca de Rua

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“Um jornal fala e por isso o nosso tem até o nome de Boca. Mas também escuta o povo da rua, escuta outros movimentos. As pessoas também nos escutam quando compram nosso jornal, a universidade nos escuta quando nos chama para falar do nosso trabalho. O outro lado da cidade nos vê porque nos escuta e nos lê. Ver, falar e escutar. É assim que a comunicação é feita.

O Boca começou desconhecido e hoje passou a ser bem recebido em qualquer parte. Somos convidados para falar até na Universidade e a participar de vários encontros (ver matérias página 10 e 11). Isso acontece porque ele funciona completamente diferente dos outros, até mesmo dos que são vendidos por moradores de rua no resto do mundo. Em toda a International Network Street Papers (INSP)- que tem mais de 120 publicações em 24 idiomas e 40 países- é o único totalmente feito por nós. Isso é muito importante. Não se pode plantar uma laranjeira e colher limão. Ninguém melhor do que nós para falar sobre a vida na rua. Nós somos as laranjas, outra pessoa falando sobre o assunto seria o limão na laranjeira. É parecido, mas não é igual. A gente vive o que diz. Sente que o diz. É um jornal vivido. Aqui não é aquela história de Profissão-repórter. É Repórter-profissão”.